O fabrico de vinho é uma tradição ancestral no concelho da Sertã. São muitos os cidadãos que anualmente produzem o seu vinho, com maior ou menor graduação – há para todos os gostos. A Sertã possui, ainda hoje, alguns bons vinhos, com destaque para os produzidos na região do Nesperal e de Cernache do Bonjardim.

Em tempos recuados, mais precisamente no século XIV, um almude de vinho custava na Sertã, 23 réis. A produção de vinho nunca foi muito expressiva nesta zona do país. Por exemplo, em 1865, produziram-se no concelho 20.000 almudes, correspondentes a 585 pipas de vinho maduro e 195 de vinho verde. Os vinhos sertaginenses eram, segundo o Governador Civil de Castelo Branco da altura, “de qualidade média”. Importa notar que a Sertã era responsável pela quase totalidade da produção de vinho verde do distrito neste período.

No fabrico do vinho, eram utilizados três processos: de bica aberta, de feitoria e de meia feitoria.

Esmagadas as uvas nos lagares pelos pés dos homens, o mosto, no caso do fabrico de bica aberta, era logo transportado para as pipas com algum bagulho ou folhelho, mas sem cardaços (engaços), e ali mexido durante dias.

No caso de feitoria completa, toda a massa, mosto e folhelho, fica a fermentar no lagar, sendo o mosto recolhido depois de terminada a fermentação.

A meia feitoria obtêm-se dando feitoria ao vinho tinto e misturando-o depois, nas pipas, com vinho branco feito de bica aberta, ou vice-versa, dando feitoria ao vinho branco e misturando-o depois com vinho tinto de bica aberta.

In Sartagografia

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