Ponte e Vista Geral do Rocio - Abrantes
Carlos Vieira Dias*
Não vamos tratar da relação entre Abrantes e o Tejo na sua totalidade, mas somente aflorar essa ligação com algumas fotografias que nos mostram uma atividade perdida, o transporte fluvial.
O tráfego fluvial do Tejo, e particularmente do porto de Abrantes, sofreu muitas transformações ao longo dos séculos, como podemos verificar no texto seguinte:
“Ribeiro de Guimarães, no Sumário da Vária História, T. V, p. 20, citando um documento anónimo de 1552, diz que Abrantes tinha 100 barcos na carreira e 80 a pescar, e em 1822, Adrrien Balbi, no Essai Statistique, Paris, publica um quadro de pescarias em Portugal nos finais de 1821, que é o seguinte:
- Barquinha ................................................................. 25 barcos com 75 tripulantes
- Porcia (?) de Tancos .............................................. 12 barcos com 42 tripulantes
- Abrantes ................................................................... 40 barcos com 80 tripulantes
- Constância ................................................................ 10 barcos com 20 tripulantes
- Paio-de-Pele ............................................................ 77 barcos com 154 tripulantes
- Tancos ......................................................................... 2 barcos com 4 tripulantes
- Atalaia....................................................................... 30 barcos com 260 tripulantes
Sobre os barcos que navegavam no Tejo, e que utilizavam o porto de Lisboa, recaía um imposto pago à Câmara daquela cidade denominado Tragomalho ou Traga-o-malho, que lhes permitiam cravarem a malho estacas na praia, a fim de prenderem suas embarcações - imposto que, segundo Eduardo Freire de Oliveira, parece remontar ao século XIV.
É sabido que até ao século XVII não havia em todo o Ribatejo qualquer ponte para a travessia do Tejo. Esta fazia-se através das barças de passagem, que prestavam um serviço caro e irregular: o preço, conforme a distância e estado do tempo, variava entre 20 e 480 réis; um barco pequeno custava 1600, c cada pessoa pagava 60 réis; no século passado (1860) este último preço elevava-se a 150 réis.”1
ABRANTES — Uma vista do Tejo, no Rocio de Abrantes
Fotografia da margem sul, onde são visíveis os Mourões e alguns varinos utilizados no transporte de mercadorias (Postal, edição desconhecida - anos 40/50).
ABRANTES — Ponte sôbre o Tejo e vista geral do Rocio de Abrantes
Fotografia onde é visível o leito do Tejo, com água em toda a sua largura (Postal, edição desconhecida - anos 40/50)
Fotografia da margem norte, visualizando-se o lugar de Barreiras do Tejo e a encosta sul de Abrantes, na época um imenso olival (Postal, edição “Loty” - anos 40/50)
ABANTES— Ponte do Rio Tejo. Vista do Rossio ao Sul de Abrantes
Fotografia da margem norte, com a ponte rodoviária (em funcionamento desde 1870).
É perfeitamente visível um varino, barco de transporte fluvial de tonelagem apreciável (Postal, edição “Loty” - anos 40/50)
Abrantes – Ponte sobre o Tejo no caminho de ferro da Beira Baixa
Fotografia da ponte ferroviária, inaugurada em 1891, situada a montante da área apresentada nas fotografias anteriores (Postal, edição desconhecida - anos 40/50)
Intervenção nas margens do Tejo - Projeto Aquapolis
Notas
* Comerciante, membro do CEHLA.
1 Manuel António Mourato e João Valentim da Fonseca Mota, Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes (Org. e notas de Eduardo Campos), Abrantes, Câmara Municipal de Abrantes, 1981, p. 312.
In: DIAS, Carlos Vieira – Abrantes e o Tejo. Zahara. Abrantes: Centro de Estudos de História Local. ISSN 1645-6149. Ano 2 Nº 4 (2004), p. 28-30